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Transtorno de Estresse Pós-Traumático

Transtorno de Estresse Pós-Traumático

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) manifesta-se após a exposição, confrontamento, vivência ou testemunho, de um ou mais eventos violentos, geralmente envolvendo morte, graves ferimentos ou ameaça a integridade física própria ou alheia. Assaltos, violência sexual, sequestro, acidentes automobilísticos, tortura e perdas repentinas são exemplos típicos de eventos traumáticos relatados com frequência como causa do TEPT. 
 
É comum que a pessoa sofra com flashbacks, imagens e pensamentos intrusivos e sonhos ou pesadelos relacionados ao trauma. Essas pessoas costumam evitar tudo o que lhe traz recordações do evento, seja lugares, pessoas, conversas, objetos, atividades ou situações. 
 
Em alguns casos, lembranças do trauma podem desencadear estados dissociativos que duram desde poucos segundos até várias horas ou até mesmo dias. Durante este período os aspectos do evento são revividos pela pessoa, que se comporta como se tudo estivesse ocorrendo naquele momento. 
 
Alterações negativas em cognições e no humor também são comuns. Crenças ou expectativas negativas persistentes e exageradas a respeito de si mesmo, dos outros e do mundo e a percepção distorcida da causa ou das consequências do evento traumático são sintomas habituais do TEPT. Afirmações como “Esse evento me fez perceber que não se pode confiar em ninguém.”, “O meu trauma me mostrou que mundo é perigoso.” ou, ainda, “Isso ocorreu por minha culpa.” podem ser recorrentes.
 
O indivíduo traumatizado costuma apresentar sintomas persistentes que causam sofrimento significativo ou prejuízo no seu funcionamento social e ocupacional. Insônia, irritabilidade, explosões de raiva, dificuldade de concentração, sensação entorpecimento ou interesse reduzido nas atividades cotidianas, estado de hipervigilância, tensão, nervosismo, respostas sobressaltadas e amnésia dissociativa são sintomas comuns do TEPT. 
 
O tratamento do TEPT é multimodal, incluindo farmacoterapia e psicoterapia. Os medicamentos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) costumam apresentar bons resultados no tratamento, assim como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), principalmente a terapia de exposição prolongada e a terapia de processamento cognitivo.
 
Uma mudança no estilo de vida também é essencial como parte do tratamento. Incluir atividades físicas, manter uma alimentação rica e balanceada, prezar pelos contatos sociais e momentos de lazer são atitudes que proporcionam uma vida mais equilibrada e prazerosa. 
 
Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para cada caso, bem como a dosagem correta. Se você se identificou com alguma das situações relatadas, procure ajuda profissional. A automedicação é contraindicada em todos os casos. Todo tratamento deve ser acompanhado por um profissional qualificado e não deve ser interrompido sem seu conhecimento
 
Leandro Augusto Paula da Silva
CRM: 34231 - MG